O que é a hipertensão arterial?
A hipertensão arterial (a "pressão alta") é uma condição crônica em que a pressão do sangue contra as paredes das artérias fica persistentemente elevada. A pressão é expressa por dois números: o primeiro (sistólica) é a pressão quando o coração bombeia; o segundo (diastólica), a pressão entre os batimentos. Valores normais ficam abaixo de 120/80 mmHg.
O diagnóstico costuma ser considerado a partir de 140/90 mmHg no consultório (critério da Sociedade Brasileira de Cardiologia), embora algumas diretrizes internacionais usem valores a partir de 130/80. O importante é que a meta e a interpretação sejam definidas individualmente pelo médico. A hipertensão afeta mais de 1 bilhão de adultos no mundo e é a principal causa evitável de doenças do coração e de morte precoce.
Por que é chamada de inimiga silenciosa?
Ela recebe esse nome porque, na maioria dos casos, não provoca nenhum sintoma, mesmo com valores muito elevados. A pessoa pode conviver anos com a pressão alta sem perceber, enquanto o dano aos vasos e aos órgãos progride silenciosamente. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes já houve comprometimento do coração, do cérebro, dos rins ou dos olhos. Por isso, a única forma de saber se a pressão está alta é medindo-a regularmente.
Causas e fatores de risco
Em cerca de 95% dos casos não há uma causa única (é a hipertensão essencial ou primária), resultado de uma interação entre fatores genéticos, comportamentais e ambientais. Os principais fatores de risco são:
- Alimentação inadequada: excesso de sal (sódio) e pouca ingestão de potássio, frutas, verduras e fibras.
- Excesso de peso e obesidade: há uma relação quase direta entre o peso e a pressão; cerca de 40% dos hipertensos têm obesidade.
- Sedentarismo e consumo excessivo de álcool.
- Estresse e distúrbios do sono, incluindo a apneia do sono.
- Idade mais avançada e história familiar de hipertensão.
Hipertensão e síndrome metabólica
A síndrome metabólica é um conjunto de alterações que costumam andar juntas: gordura abdominal, pressão alta, glicemia elevada (pré-diabetes ou diabetes), triglicérides altos e HDL baixo. A resistência à insulina é o elo central entre a obesidade, a síndrome metabólica e a hipertensão. Quando esses fatores se somam, o risco cardiovascular se multiplica. Por isso, tratar a pressão em quem tem síndrome metabólica exige uma abordagem integrada, que vá além de controlar só a pressão.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico não deve se basear em uma única medida. A pressão precisa ser aferida de forma padronizada (paciente sentado, em repouso, braço apoiado na altura do coração e manguito adequado), e as diretrizes recomendam confirmar com medidas fora do consultório:
- MAPA (monitorização de 24 horas): um aparelho mede a pressão a cada 15 a 30 minutos ao longo do dia e da noite. É a referência para medidas fora do consultório e avalia o comportamento da pressão inclusive durante o sono.
- Medida em casa (MRPA): o próprio paciente mede com um aparelho digital validado, seguindo um protocolo (em geral duas medidas de manhã e duas à noite, por vários dias). É prática e muito útil para o acompanhamento e o ajuste dos remédios.
Essas medidas ajudam a identificar duas situações comuns: a hipertensão do jaleco branco (a pressão sobe só no consultório, por ansiedade, e é normal em casa) e a hipertensão mascarada (normal no consultório, mas alta no dia a dia), esta especialmente perigosa por passar despercebida.
Os riscos da hipertensão para o organismo
Sem controle, a pressão alta causa danos progressivos a vários órgãos-alvo:
- Coração: obriga o coração a trabalhar mais, engrossando o músculo cardíaco e podendo levar à insuficiência cardíaca; também acelera a aterosclerose, aumentando o risco de infarto.
- Cérebro: é o principal fator de risco para o AVC, e se associa ao declínio cognitivo e à demência vascular.
- Rins: pode levar à doença renal crônica e, em casos avançados, à diálise. É uma das principais causas de insuficiência renal.
- Olhos: pode danificar os pequenos vasos da retina, causando alterações visuais.
Os pilares do tratamento
O tratamento combina mudanças no estilo de vida e, quando necessário, medicamentos. As mudanças de estilo de vida são a base para todos os hipertensos, inclusive quem usa remédio, e seus efeitos se somam: controle do peso (cada quilo perdido reduz cerca de 1 mmHg na pressão), a dieta DASH (rica em frutas, verduras e grãos integrais), a redução do sal, o aumento do potássio, pelo menos 150 minutos por semana de atividade física, a moderação do álcool e o bom sono.
Quando o estilo de vida não basta, ou o risco é alto, entram os medicamentos anti-hipertensivos das classes de primeira linha (diuréticos, inibidores da ECA ou bloqueadores da angiotensina, e bloqueadores dos canais de cálcio). Em muitos casos, inicia-se já com dois medicamentos combinados em um único comprimido, para controlar mais rápido e facilitar a adesão. O estudo SPRINT mostrou que um controle mais rigoroso da pressão reduziu eventos cardiovasculares e mortalidade em pacientes de alto risco. A meta é sempre individualizada pelo médico.
A importância do acompanhamento e da adesão
A hipertensão é crônica e, na maioria dos casos, exige tratamento contínuo pela vida toda. Estudos mostram que até metade dos pacientes abandona ou toma o remédio de forma irregular após o primeiro ano, e essa falta de adesão é a principal causa de pressão não controlada, com mais internações e complicações. Ajudam a manter a adesão: preferir remédios de dose única diária, usar comprimidos combinados, medir a pressão em casa, manter consultas regulares e usar lembretes.
Lembre-se: a pressão estar controlada não significa que a doença desapareceu. Parar o tratamento por conta própria pode fazer a pressão subir de novo e aumentar o risco de complicações graves. O acompanhamento médico regular é indispensável para proteger o coração, o cérebro, os rins e a visão a longo prazo.
