O que são o diabetes tipo 2 e o pré-diabetes?
O diabetes tipo 2 é uma doença metabólica crônica em que o corpo perde, aos poucos, a capacidade de usar bem a insulina (a chamada resistência à insulina) e, com o tempo, o pâncreas não produz insulina suficiente para manter o açúcar do sangue (glicose) na faixa normal. O resultado é a hiperglicemia, o excesso de glicose que, silenciosamente, danifica os vasos e os órgãos.
O pré-diabetes é o estágio intermediário: o açúcar já está acima do ideal, mas ainda não atingiu os valores do diabetes. Estima-se que 1 em cada 3 adultos tenha pré-diabetes, e a maioria não sabe. Sem tratamento, cerca de 10% das pessoas com pré-diabetes evoluem para diabetes a cada ano.
Por que o diabetes tipo 2 surge?
O ponto de partida é a resistência à insulina: as células do fígado, dos músculos e da gordura deixam de responder bem à insulina. O pâncreas compensa produzindo mais, mas com o tempo as células que fabricam insulina se esgotam. Os principais fatores de risco são:
- Excesso de peso ou obesidade (presente em mais de 80% dos casos de pré-diabetes)
- Sedentarismo
- Alimentação rica em calorias e pobre em nutrientes
- Histórico familiar de diabetes
- Idade mais avançada
- Histórico de diabetes na gravidez
A relação com a obesidade e o risco cardiovascular
A obesidade e o diabetes tipo 2 estão profundamente ligados: cerca de 9 em cada 10 casos de diabetes tipo 2 se relacionam ao excesso de peso. A gordura em excesso, sobretudo a abdominal, libera substâncias inflamatórias que agravam a resistência à insulina e alteram os vasos.
Essa conexão vai além do açúcar. Quando o diabetes se junta à síndrome metabólica (cintura aumentada, triglicérides altos, HDL baixo, pressão alta e glicose elevada), o risco cardiovascular pode ser até 5 vezes maior. A doença do coração (infarto, AVC e insuficiência cardíaca) é a principal causa de complicações graves e de morte no diabetes tipo 2, e cerca de um terço dos adultos com a doença já tem alguma forma de doença cardiovascular.
Sinais de alerta e como é feito o diagnóstico
O pré-diabetes e o diabetes inicial costumam ser silenciosos. Quando surgem, os sintomas podem incluir sede excessiva e boca seca, aumento da vontade de urinar, cansaço, visão embaçada, cicatrização lenta de feridas e formigamento nas mãos ou nos pés. Por ser uma doença silenciosa, o diagnóstico depende de exames:
- Glicemia de jejum: mede a glicose após pelo menos 8 horas sem comer. De 100 a 125 mg/dL indica pré-diabetes; a partir de 126 mg/dL, diabetes.
- Hemoglobina glicada (HbA1c): reflete a média da glicose nos últimos 2 a 3 meses, sem jejum. De 5,7% a 6,4% indica pré-diabetes; a partir de 6,5%, diabetes.
O diagnóstico deve ser confirmado com a repetição do exame alterado.
Por que identificar o pré-diabetes cedo faz diferença?
O pré-diabetes não é só um aviso: ele já representa risco aumentado de eventos cardiovasculares, mesmo antes do diabetes. A boa notícia é que ele é reversível. O estudo Diabetes Prevention Program mostrou que mudanças intensivas no estilo de vida (alimentação, 150 minutos de atividade física por semana e perda de 7% a 10% do peso) reduziram a incidência de diabetes em 58% em 3 anos; a metformina reduziu em 31%.
Identificar o pré-diabetes cedo permite intervir antes que os danos aos vasos e aos órgãos se tornem irreversíveis.
Os pilares do tratamento
O tratamento se apoia em dois pilares: mudanças no estilo de vida e, quando necessário, medicamentos. No estilo de vida, contam a alimentação saudável (padrões como a dieta mediterrânea e a DASH), a atividade física regular (pelo menos 150 minutos por semana de exercício moderado mais musculação, o que reduz a hemoglobina glicada e melhora pressão e colesterol), o controle do peso e a parada do cigarro.
Entre os medicamentos, além da metformina (que segue como base), a medicina avançou muito com duas classes que vão além do controle da glicose: os inibidores de SGLT2 (como empagliflozina e dapagliflozina), que reduzem mortalidade, internação por insuficiência cardíaca e progressão da doença renal; e os análogos de GLP-1 (como semaglutida e liraglutida), que reduzem eventos cardiovasculares e AVC e promovem perda de peso. As diretrizes recomendam esses medicamentos para quem já tem doença do coração, insuficiência cardíaca ou doença renal (ou alto risco), independentemente do nível de hemoglobina glicada, pelo efeito protetor direto sobre o coração e os rins.
A importância do acompanhamento regular
Sem acompanhamento adequado, o diabetes pode causar complicações graves em vários órgãos:
- Coração e vasos: infarto, AVC, doença arterial periférica e insuficiência cardíaca.
- Rins: a doença renal do diabetes é uma das maiores causas de insuficiência renal; a função dos rins deve ser avaliada anualmente.
- Olhos: a retinopatia pode levar à perda de visão; o exame de fundo de olho anual detecta alterações tratáveis.
- Nervos: a neuropatia causa formigamento, dor e perda de sensibilidade nos pés, com risco de úlceras; o exame dos pés deve ser anual.
Controlar ao mesmo tempo a glicose, a pressão e o colesterol reduz muito o risco de todas essas complicações. O acompanhamento cardiometabólico regular, com consultas e exames periódicos, é a melhor estratégia para viver bem com diabetes e proteger o coração, os rins, os olhos e os nervos.
